que dia é hoje?

já não era sem tempo..

Buri 21, Abril, 2008

Arquivado em: Uncategorized — João @ 11:23 pm

É o nome da cidade onde vim parar. O motivo é assunto pra tópico e meio, mas não agora.

Estou passando um tempo na casa de minha avó paterna e, quando ela dorme, pego meu apetrechos em minha mala e começo a confeccionar o meu beque na cadeira de balanço da sala. Depois de fumá-lo no quntal, saio para passear, afinal, toda cidadezinha que se preze tem seu tarado solto pelas ruas.

Vira e mexe me deparo com lugares que me remetem à infância, onde passei minhas melhores férias: terrenos abandonados, árvores onde construi uma casa com meus primos, o jardim da prefeitura onde eu andava de bicicleta, lugares onde fiz guerra de lama, córregos onde tentei descer de jangada (!), muro onde enfileirava latinhas para testar a mira da espingarda, o quinta onde brinquei de mãe-da-rua. Enfim, uma típica infância de redação-de-primeiro-dia-de-aula, como disse uma professora certa vez.

Este lugarzinho no fim do mundo é bem engraçado, tem aqueles bêbados de antes do meio-dia, aquele sotaque carregado de caipira, aquele cheiro de suor e bosta de vaca, as manias mais cuirosas e  preocupações demasiadas com a vida alheia.

As mulheres daqui são como leoas, que à noite saem à caça, faça chuva ou faça sol. O sotaque de paulista (ou a falta de sotaque de caipira) as deixa arrepiadas. Minha avó diz que elas têm o “negócio” na testa, se é que vocês me entendem… A minha sorte é ter nascido gazela rápida, pronta pra se esquivar de qualquer ataque, senão daria “boró”.

Até a nova praga da cidade, o gambá, tem outro nome por aqui: raposinha. Pão francês é pão d’água, bom é bão e todo mundo se cumprimenta de longe levantando a mão e acenando com a cabeça. Bicicleta é o principal veículo e a balada por aqui (que só abre uma vez por semana) fecha no máximo às 3h da manhã. Pra se comprar no açougue ou na padaria, usa-se uma caderneta onde é tudo anotado e somado no fim do mês.

O que se tem para fazer por aqui, além de cuidar da vovó e matar as saudades, é colocar a leitura em dia, dormir na rede, andar de bicileta, comer fruta do pé, ver estrelas e curtir o visual interiorano com aquelas casas à beira da estrada sujas de barro até um metro. A luz amarelada das ruas ajuda a dar o ar nostálgico.

O tédio pode até bater de vez em quando, mas a qualidade de vida que se tem por aqui compensa.

P.S.: Há alguns dias, passeando à noite vi um gambá ser atacado por uma coruja na rua.