
É o nome da cidade onde vim parar. O motivo é assunto pra tópico e meio, mas não agora.
Estou passando um tempo na casa de minha avó paterna e, quando ela dorme, pego meu apetrechos em minha mala e começo a confeccionar o meu beque na cadeira de balanço da sala. Depois de fumá-lo no quntal, saio para passear, afinal, toda cidadezinha que se preze tem seu tarado solto pelas ruas.
Vira e mexe me deparo com lugares que me remetem à infância, onde passei minhas melhores férias: terrenos abandonados, árvores onde construi uma casa com meus primos, o jardim da prefeitura onde eu andava de bicicleta, lugares onde fiz guerra de lama, córregos onde tentei descer de jangada (!), muro onde enfileirava latinhas para testar a mira da espingarda, o quinta onde brinquei de mãe-da-rua. Enfim, uma típica infância de redação-de-primeiro-dia-de-aula, como disse uma professora certa vez.
Este lugarzinho no fim do mundo é bem engraçado, tem aqueles bêbados de antes do meio-dia, aquele sotaque carregado de caipira, aquele cheiro de suor e bosta de vaca, as manias mais cuirosas e preocupações demasiadas com a vida alheia.
As mulheres daqui são como leoas, que à noite saem à caça, faça chuva ou faça sol. O sotaque de paulista (ou a falta de sotaque de caipira) as deixa arrepiadas. Minha avó diz que elas têm o “negócio” na testa, se é que vocês me entendem… A minha sorte é ter nascido gazela rápida, pronta pra se esquivar de qualquer ataque, senão daria “boró”.
Até a nova praga da cidade, o gambá, tem outro nome por aqui: raposinha. Pão francês é pão d’água, bom é bão e todo mundo se cumprimenta de longe levantando a mão e acenando com a cabeça. Bicicleta é o principal veículo e a balada por aqui (que só abre uma vez por semana) fecha no máximo às 3h da manhã. Pra se comprar no açougue ou na padaria, usa-se uma caderneta onde é tudo anotado e somado no fim do mês.
O que se tem para fazer por aqui, além de cuidar da vovó e matar as saudades, é colocar a leitura em dia, dormir na rede, andar de bicileta, comer fruta do pé, ver estrelas e curtir o visual interiorano com aquelas casas à beira da estrada sujas de barro até um metro. A luz amarelada das ruas ajuda a dar o ar nostálgico.
O tédio pode até bater de vez em quando, mas a qualidade de vida que se tem por aqui compensa.
P.S.: Há alguns dias, passeando à noite vi um gambá ser atacado por uma coruja na rua.
Vc, sempre lindo e apaixonante.Sempre.
Lendo as coisas q vc escreve, confesso ( constrangido) que me sinto ou como aquele velho com “ossos de vidro”, ou como o pai da Amelie Poulain recebendo as fotos do anão.
Às ordens
Amor….muitas saudades e mais que isso uma vontade louca de ir aí, ver você…colher frutas no quintal…pisar na grama de manhã, ainda úmida de orvalho.
Te amo.
…fiquei sabendo do motivo de um tópico e meio, e o que teria a te dizer levaria outro tópico e meio e certamente nao seria por aqui. De qualquer forma esse seu post me deu uma vontade gigante de passar aí pra te visitar.
Que inveja querido. Nem me convidou.
Pra provar a fruta no pé.
Pra pegar lenha pra fazer café.
Pra beber leite direto da fonte.
Pra ver a vida passar olhando pro horizonte.
Pra podê assistir a toada dos bodes.
E divagar nos corpos suados dos bofes. (hehehe)
Bjs se cuida!
mas como você escreve bem hein menino… e que verdades! mas olha, não morre com 30 não, fica aqui e escreve um livro… você ganha mais, e nós também!
Beijos, adoro você.
Kako
atualizaaaa!
Quero ler mais dos seus textos….
Bjos