que dia é hoje?

já não era sem tempo..

pai 21, Junho, 2008

Arquivado em: Uncategorized — João @ 3:36 am

Já faz dois meses e meio que meu pai morreu. Pra mim está sendo muito difícil. Falar sobre o assunto também não é nada fácil, mas preciso soltar. Sempre que escrevo é porque as idéias me vêm à cabeça e preciso descarregá-las. E agora chegou a hora de falar dele: meu paizão.

Me lembro como se fosse ontem de olhar para trás na minha primeira bicileta vermelha, lá na cidade natal dele, Buri, e não vê-lo segurando a garupa para eu não cair. Um segundo depois eu estava no chão, todo ralado. Me lembro de dormir deitado na barriga dele no fim de semana, de ele me levar para brincar na praça perto de casa, de ele me levando pra balda e buscando, porque fazia questão. De ele me dizendo para chutar o saco de quem me enchesse e sair correndo pra ele que ele me defenderia.

Me lembro de ele dizer que, se eu quisesse, não precisaria trabalhar nunca, que ele sempre faria de tudo pra nos dar do bom e do melhor. E fez! Sempre! Saía cedinho de casa e voltava quando já estávamos quase indo pra cama. Nos escondíamos sempre no mesmo lugar e ele sempre nos achava demoradamente.

Tivemos nossas desavenças quando ele me perguntou se eu era gay, mas o amor supera tudo. Há mais ou menos um ano soubemos que ele tinha câncer. Começou no intestino, foi se desenvolvendo e a quimio e a radioterapia não davam conta. Tivemos toda ajuda possível e ele sempre sorria para não nos preocupar. essa foto foi em novembro, no aniversário da minha mãe. Ele já estava com 11kg a menos, mas ainda andava, falava e até comia bem. Foi ostomizado e quando suas pernas começaram a perder o movimento fazia fisioterapia e tudo o mais. Mas a velocidade do câncer foi maior.

O pai dele morreu quando ele tinha 45 dias de vida, por esmagamento do corpo na Fepasa. Mas mesmo assim ele foi o melhor pai que eu poderia escolher, se não tivesse sido ao contrário. A vida dele se resumia em nos ver felizes. Nos últimos dias, acasa andava triste, silenciosa. Então resolvi dar uma festa com uma amiga pra animar, tentar esquecer do clima ruim. Mas acabei não indo á festa e passei a noite no hospital com ele.

Conversamos, rimos, vimos TV, ele me leu o jornal do dia. Mas quando ele dormiu eu via que não ia durar muito mais, dava pra ver o sofrimento nos olhos amarelos que já não fechavam ao dormir, a boca ficava seca e o sistema nervoso e a coordenação motora já não eram os mesmos. O alimentei, arrumei a cama como ele queria, li o jornal no dia seguinte, pois ele já não conseguia e no terceiro dia de internação, levei o mp3 players só com as músicas que ele gostava.

Quando ele olhava pra mim, eu não escondia mais o choro, mas sorria e ele me apertava o dedo. Ouvimos junto a música que ele sempre cantava pra mim “coisinha do pai” da Beth Carvalho. E ao me despedir disse que íamos embora e que no dia seguinte estaríamos lá às 9h em ponto. Minha mãe e minha avó dormiram lá no dia.

Na manhã do dia 08 de abril, chegamos lá ás 10h. Ele havia falecido às 9h30. Nos esperou, mas chegamos tarde. Já haviam retirado a sonda, os aparelhos, o soro. Ao mesmo tempo que foi triste vê-lo lá parado, amarelo e magro, foi um alívio ver que ele não estava mais sofrendo. Me doía muito vê-lo daquele jeito, escondendo toda a dor, segurando tudo dentro de si e ver minha avó que o mimou a vida inteira gritando, chorando e desmaiando quando contei.

Nunca tivemos uma relação muito aberta. Conversávamos pouco sobre as coisas e sobre minha vida íntima não falávamos. Uma vez ele me perguntou se eu o amava mesmo e chorou pra mim feito criança. Disse que sim, eu tinha 15 anos. Ontem sonhei com ele. Sonhava que ele tinha voltado a viver, deitado na cama do hospital, sem poder falar, mas com uma ótima aparência. Entrei no quarto e disse: “Eu te amo e sempre vou te amar!”.

Ao melhor pai do mundo.

 

Eu adoro segunda-feira! 12, Junho, 2008

Arquivado em: Uncategorized — João @ 7:48 pm

O garfield que me desculpe, mas nesse ponto somos diferentes. Posso ser preguiçoso, adorar lasanha e ser sarcástico até demais. Mas toda segunda-feira é uma delícia.

Há alguns meses tenho me reunido com meus melhores amigos na casa do Xu e da Pri, que são donos de uma casa GLS em Moema. Como eles trabalham nos fins de semana, sobram a segunda e a terça-feiras para descansar. Então, é pra lá que vamos quando o sol está baixando.

Além de conversarmos sobre tudo o que aconteceu nos dias anteriores, espalhados em almofadas, ainda podemos fazer isso fumando um baseado, ouvindo a vizinha de cima tocar piano e planejando o jantar. Depois de decidido o prato, uma turma vai às compras (às vezes de cartola, salto alto, peruca, o que der na telha) enquanto a outra fica em casa jogando mau mau, pingo no i, war, imagem & ação ou o jogo da enciclopédia.

Enquanto cozinhamos vamos tendo idéias de festas temáticas no bar karaokê e coisas do tipo. E o povo lá na sala jogando… Aí quando o prato vai ao forno fumamos de novo, jogamos mais e esperamos ficar tudo pronto, regados de drinks especiais do Xuxu ou somente uma taça de vinho português. Quando o jantar fica pronto nos servimos, oramos do nosso jeito especial (tudo é muito especial, percebeu?) e nos deliciamos com as maravilhas que o Renan nos prepara.

Depois de quase explodir de tanto comer, colocamos um (dois, três) filminho e vamos assistindo até nos rendermos ao sono e termos que ir embora. Esta é a parte mais chata, voltar pra Santo Amaro lá da Vila Mariana. Ainda bem que não dirijo!