
Depois dessa fase tempestuosa que compartilhei aqui há um tempo, as nuvens finalmente resolveram ceder espaço ao sol. Não sei se, por eu estar triste, as coisas tendiam a piorar cada vez mais, mas depois de muito apanhar, acabei aprendendo mais umas coisinhas com a vida, levantando, sacudindo a poeira e dando a volta por cima.
Fiquei quase oito meses desempregado, fazendo um freela aqui e outro ali e contando com o apoio de binha bãe para quase tudo. Decidi que deveria estudar mais e começo no ano que vem meu curso de MBA em Marketing. Minha família está fortalecida com a dor em comum e muitos parentes nem nos ligam, nem visitam mais nossa casa, alegando que não conseguiriam ver a casa sem meu pai. Um pouco egoístas, talvez.
Foi então que, depois de receber quase um passe de uma evangélica-macumbeira-benzedeira na cidade da minha avó (tudo pra agradar a velhinha), recebi uma ligação de uma amiga dizendo que havia sido convidada pelo novo diretor comercial da revista piauí para fazer parte da equipe. Como ela já estava trabalhando com algo muito bom, recusou o convite e ainda me recomendou como alguém muito eficiente e com o perfil ideal para o cargo.
Assim que cheguei em São Paulo, liguei agendando um bate-papo com o diretor comercial. No final da conversa, ele disse que tinha gostado bastante e me deu um exemplar da revista, dizendo que depois ia querer saber da minha opinião.
Passei uma semana e meia sem respostas, mas ainda estava com esperança e pensamento positivo. Então, no dia de São Judas Tadeu, recebi um e-mail dizendo que eu começaria na segunda-feira. O mais engraçado é que eu havia recebido uma dessas correntes de e-mail de São Judas Tadeu e deletado logo de cara. Em seguida, estava o e-mail que eu esperava. Então voltei na lixeira e encaminhei a oração a mais 20 pessoas.
E na mágica do Natal, acabei encontrando na minha caixa de correio – a real, não a virtual – entre cartões de desentupidoras, panfletos de supermercados e contas, uma carta destinada ao Papai Noel, em um envelope feito a mão.
Achei engraçado e vi que o remetente, com letra de criança se chamava Danilo Israel. Na cartinha, ele dizia tinha nove anos, gostava muito de estudar e que gostaria de ganhar uma mochila de rodinhas e material escolar. Ainda ressaltava, caso o Papai Noel não pudesse ajudá-lo, que ligasse avisando.
Pronto, né? Foi de partir o coração. Não pensei duas vezes, com meu primeiro salário vou à Kalunga providenciar tudo o que o garoto pediu. Se alguém quiser/puder ajudar, é só ir a uma agência dos Correios e escolher uma cartinha.